sábado, outubro 29, 2005


A noite está mais escura e mais fria
Meus olhos só prolongam essa escuridão
Não há palavras acesas, lenha d'agonia,
Das lareiras que o tempo queima em vao

Só cinzas desconstroem o castelo que via
Da torre de menagem dum forte d'algodão
Que também ficou negro à luz negra do dia
Ardendo em negras chamas de meu coração.

Horas negras que oro, catedral de solidão,
A um cristo negro pregado numa cruz vazia
Em que as minhas chagas gemem na melodia

Melodia de coros negros de que sou refrão
Ecoado na nave de silêncio onde és trovão.
Como é escura a noite... como é negro o dia!


Foto: Emil Schildt

7 Comments:

Blogger DT said...

Venho retribuir a cortesia de uma visita.

Deixo as mesmas palavras: eis um blog que quero seguir com atenção.

Abraço

12:43 da manhã  
Blogger Utopia said...

A dôr da consciência,
de saber que prolongamos a escuridão com o olhar,
que nos golpeamos com as palavras,
monólogos em que incendiamos o tempo impossível de reaver.

A dôr de um desejo solitário
de seguir numa estrada agora sem fim, pavimentada de memórias que apenas nós percorremos, numa vida não mais partilhada por quem um dia lhes soube dizer adeus.

Como é negro o dia....
Como é brilhante este teu poema.
Parabéns!

3:13 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

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